sexta-feira, 17 de abril de 2009

A língua é o chicote do corpo

O título dessa postagem é um dito popular muito usado. Trata-se, obviamente, de uma metáfora. Quer dizer que você pode ser pego em contradição por falar demais ou, também popularmente, falar pelos cotovelos, além de ser penalizado por isso. Reinaldo Azevedo parece ter chicoteado a si próprio com sua língua.


Hoje, em seu blog, ele trata do relativismo indígena – ou cultural, para ser mais preciso – da Funai e ONGs que adoram "privatizar" as causas dos índios. Afora seu estilo eternamente de "homem superior ocidental", até concordo com Reinaldo. Nunca fui fã desse relativismo algo quase religioso, muito presente nas Ciências Sociais, mais especificamente na Antropologia. Alguns valores devem, sim, ser oferecidos, demonstrados universalmente. Defender ações infanticidas como no caso citado pelo blogueiro da Veja é absurdo, mesmo sob a suposta égide da identidade cultural. Nos termos ocidentais, é algo semelhante à eugenia.


No entanto, o que me levou a este comentário é um trecho do Reinaldo no qual ele escreve: "E que diabo de ONG é essa tal Secoya? Fui procurar: "Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami". Em sua página eletrônica, ao apresentar os índios, o texto começa com a seguinte pérola: "Os Yanomami representam uma das etnias que mais recentemente manteve contato com a sociedade envolvente." Em que língua essa porcaria é escrita? Português é que não é. Gente que escreve assim merece chicote."


Hum..., claro. Trata-se de uma metáfora. Tosca, mas ainda assim uma metáfora. Contudo, se os críticos de Azevedo – principalmente os petralhas – lembrassem de que ele levantou-se contra Fábio Konder Comparato no caso da ditabranda, por este, entre outras coisas, ter sugerido um castigo a Otávio Frias Filho, dono da Folha de São Paulo, ao estilo das ditaduras comunistas, Reinaldo estaria no poste do pelourinho virtual tomando chibatadas "digitais" por sua contradição.


Criticou Konder por sua expressão remeter a comportamentos ditatoriais, mas fez algo semelhante, fazendo menção a castigos físicos que podem tanto ser enquadrados na antiga forma de se "educar" filhos rebeldes – numa esfera privada –, bem como nas sanções que infligem agressões físicas aos infratores, comuns em teocracias. Bastaria descobrir quem seria o autor das chicotadas.



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